verbo

December 13, 2012 § Leave a comment

O verbo manifesta-se em tudo
 
Sempre que penso, mudo, e o verbo agita-se silencioso na minha alma
Brioso por dentro, quando ainda é apenas calma e segredo
Quando ainda estranho a razão que me leva a formar um pensamento
Quando o pensamento ainda não acolheu a palavra que procuro
 
Então, eu sou do verbo, ainda cedo
Sou essencialmente do Logos e ainda não sei
 
Há um muro que nos une e separa, que medeia e ajusta
Parcela de verdade que se agita em mim e não pára
 
O verbo revela o âmago do modelo que existe e que ainda não sei
 
È natural que a eternidade que me absorve, eu ainda desconheça como justa
Custa a entender o verbo
O verbo coexiste comigo mesmo antes que eu o reconheça
Tudo, porque ele já existe antes de eu saber de mim mesma
 
Sempre que penso, aproximo-me do género e o verbo urge
Surge de um ensejo, de um desejo que me parece novo sendo apenas renovado
Talvez porque eu pertença ao passado, antes mesmo de o sentir brotar de dentro
Talvez o desejo que tento, faça parte do verbo, mesmo antes de imaginar a palavra, a forma e o som que já se pressente implícito
O verbo surge do Logos como tudo se abeira do início, sem que se aperceba
Chega inopinado, nascido da ordem de todas as coisas imperceptíveis
Eu reconheço-o, apenas porque é chegado de uma vontade que resiste
Consinto-o, mesmo desentendendo-o porque é essencial tê-lo
 
Sempre que penso eu faço parte do Cosmos, acorrentada ao verbo
Este já não é sozinho, é também o caminho do meu desejo pela mão
Então, eu já sei-o de cor: penso-o, sinto-o, apalpo as palavras caladas, ordeno-as seguindo o código, o axioma do Cosmos, a excelência residente do Logos
 
Quero, apetece-me, ambiciono, aspiro o que imagino fora do meu universo profundo
O verbo baptiza a minha vontade, intensifica a minha razão e torna-se indispensável ao meu momento renovado
O verbo revela-me a alma, define-me o ser, denuncia-me ao mundo
Digo-o desprendido mas perfeito, suspenso numa frase sensível ou irreflectida
Revelo a minha vida no verbo que partilho sem querer
Eu ajo com o verbo ajustado a mim
 
O verbo ampara as outras palavras como um coração
Como acontece agora

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