luar de janeiro

January 14, 2013 § Leave a comment

São carneiros nossos devaneios consumidos
Nossos atrevidos sonhos entre as barbas soltas de deus Jano
De alma nua recomeçamos sempre o ano
Comprimidos entre rostos geminados
Presentes, ruminantes de passado
Promessas renovadas pelo céu claro de janeiro cobiçado

E balindo num rebanho de gente alvoraçada
Fiamos novelos de lã emaranhada
Unimos pontas à face de um deus falhado

Pela sombra da curvatura da lua que se mexe
Pela aresta nua que se curva num bailado que entontece
Beliscamos as queixadas do deus que impetuosamente cresce

Ao luar de janeiro que alumia e que nos despe
Animais livres, vagueamos tontos pelo céu enxaguado a fugir do medo
Balanceando zonzos nessa vírgula iluminada
Entre um texto escrito somos só pretexto que se sente
Promessas numa língua desgastada

O luar de janeiro é claro como um carneiro
Obscura está nossa alma, insegura e tresmalhada

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