privação

March 16, 2013 § Leave a comment

Entre isto e aquilo, existe um habitáculo ambíguo
Um espaço que povoa o vazio,
Um oco que manipula um qualquer quê de indefinido
Que aglutina, circunda,
Possui, submete
Coage

É para aí que vou, sombria
Onde estou
Na aldeia evasiva
Dentro do destino indecifrável, sem retorno
Numa cubata de intenções desgastadas
Enredadas numa condenação

Dispersa na umbrática selva
Não há medida genuína para o disseminado
Acesso ou debandada
Apenas recurso,
Porção, fórmula
Matemática, geometria
Plano inclinado, indistinto, obtuso
Poalha
Nada que conceba volume, delineie, forme, agite
Tudo uma ocupação instigada
Um espaço preenchido por indelével ordem

Nada do que sou,
Faço e desfaço, coabito, perduro
Distingue-se na cor, matéria, intuição,
Nesta cela entalhada

Uma vontade flui apenas, tresloucada,
Remoinho que penteia um campo desfolhado
A sorte que dissipa e dispõe perceções
Sacode intenções entre varreduras
Frenéticas, estrábicas, freáticas, abrasivas
Esparge conteúdos por estantes de hipóteses insondadas

Entre isto e aquilo, talvez exista tempo dentro do nada
Medida válida no âmago intangível
Um sentido dentro do desentendimento
Neste habitáculo incompreensível, fátuo, difuso
Impertinente, hostil

Entre isto e aquilo, este todo inútil, talvez o tempo
Preencha a privação entre as coisas, o espaço embutido
O lugar onde habita a minha medida
Onde presente, inevitável
Em indigência
Constato conteúdo
Uma certa validade transitória
Fleuma

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