timidez

August 2, 2013 § 4 Comments

Já não nos deitamos no asfalto,
Deserto,
E quente!
Com os braços abertos
E os olhos perdidos
No céu alto!

Já não paramos no caminho,
Para contemplar as pedrinhas
Que aconchegam daninhas
As ervas, miudinhas!

Já não enveredamos pelos carreiros,
Estreitos,
Enevoados…
Cheiramos o musgo das paredes…
Pegamos nos bichos,
Carpinteiros!

Já não nos agachamos,
Para apanhar um caco!
Para arrancar de um cato,
Um pico!
Sentindo-lhe o cheiro!

Já não mastigamos pontas de silvado,
Comemos amoras empoeiradas!
Chupamos um godo da praia,
Fresco!
Liso!
Limpámo-lo à saia,
Achámo-lo bonito!
Duro!
Fresco!
Liso!
Um rebuçado infinito!

Já não nos sentamos nas soleiras amachucadas,
Com tempo…

Já não riscamos as paredes com lousa,
Com as mãos sujas,
Endiabradas!

Penduramo-nos nas redes de vedação,
Trepamos às árvores mais contorcidas,
Com as mãos seguras,
Enegrecidas…
Só para de lá gritamos uma canção !

Já não corremos unidos, pelo campo.
Aninhámo-nos a um canto,
Só para amuarmos sós…

Já não paramos,
Só para dar um salto!
Alto!
Intenso!
Sentido!
Com os braços levantados!
Damos um grito para chamar um amigo!

Já não sussurramos ao ouvido!
Já não fazemos caretas!
Nem figas!
Nem pregamos petas…

Não deslizamos mais, o nariz espalmado pelos vidros!
Atiramos pedras para um charco!
Deixamos a chuva refrescar-nos o rosto.
Provamos o mosto!
Defecamos na mata!
Inventamos fadas e bruxas!
Um pesadelo que assusta!
Mas não desgasta!

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