mo

January 2, 2014 § Leave a comment

sou das rimas o momento
insalubre dos versos, quadriculados
que tudo encarceram, empapam,
de pasta e de gosma as línguas
travadas, as cismas, as cruzes
que são da terra as letras na míngua
enfartada, o silêncio que pesa,
arrasta o meu corpo custoso de leito,
o rio numa sacola, as luzes, o fio
de sangue à fonte que medra
o poema, mudo que corro desfeito,
nevado de mãos, enfermo
de peito, a curar ao monte
as palavras que não digo
de sal que são e de pena,
de sabê-las puras, temer
dizê-las, desvirtuá-las
nas veias tristes, perdê-las,
longe da alma sã, oculta
da carne fria, mo
deste poema

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