móbil

January 14, 2014 § Leave a comment

nos dias severos, ela arroja sol
pelas janelas, porque ela é noite fora
e a cidade toda os olhos dela
pelos quarteirões do medo
anoitecidos, cimentados de infernos,
escadarias, dela dentro, ferro,
clarabóia eletrificada, ignescente,
debruçada na luz quadriculada,
ocre, geométrica e ordenada,
quente nas vísceras incendiadas
das fachadas trôpegas, dos clarões
estriados de lua ensolarada,
dela iluminada, dela noite, lume
deslizado de lábios enfurecidos,
escorregados de línguas ascendentes,
descendentes nas sombras alucinadas
dos corpos no alinhamento frívolo
dos recantos, dela desejo resvalado
de vidros bafejados, dela interna,
dela hulha e fósforo, tórrida
nas mãos abertas, espalmadas
das paredes, barro no mercúrio
das lamparinas cegas,
dos pavios oxigenados

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