caranguejola

January 21, 2014 § Leave a comment

às vezes deito-me
de folhas e nado uma floresta
de papel, um oceano branco
de espuma que flutua infinito
de peito e de ventre, de mim
nua, deserta que me deito e arrasto
longa, à deriva que me estiro
de tronco e de pele mergulhada,
a alma de tinta na água dos braços
que atiro, arrasto e deslizo, deles
que sou louca o rasto demorado
que alongo, arrasto e deslizo
de carne e de letras,
arrasto e afogo na boca o sal
que bebo, respiro de penas
o sargaço que ondulo das frases
a língua, a saliva respirada
de salitre na maresia das ondas,
nos olhos chorados que fustigam
as marés, escondem as ilhas
que aporto, encosto ao peito de terra
as margens galgadas que sorvo,
guardo das viagens as orlas
inundadas das rotas perdidas,
o desejo dos corpos nas veias
transbordadas, navegadas
na servidão dos barcos, na alma
ao desnorte dos nomes, dos navios
a perfuração da carne soçobrada,
os mastros e as quilhas na pele
golpeada, o marulho no nevoeiro
denso, tatuado de sangue e papel,
no silêncio que penso das frases

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