cárcere

February 3, 2014 § Leave a comment

todos os dias eu vejo as meninas
sangrentas, quando fecho os olhos
e o firmamento é delas, e ainda mais longe
de ser lá o espaço suspenso,
na noite que giram os corpos,
estrelas pálidas que são,
gotejam de sangue o fundo negro,
as veias que pulsam dentro
o meu corpo que corre, delas que fujo

todos os dias, eu as sinto eternas e vivas,
ventoinhas de lâminas e fogo,
os cabelos chicotes incendiados
que fustigam a alma e não param,
as bocas abertas em poças de sangue
na sede da minha carne que cortam,
as unhas facas que deslizam dentro,
decepam os sonhos

todos os dias, elas correm e eu fujo
todos os dias apanham-me sempre,
porque estou comigo fechada com elas,
e dentro de mim não tenho portas,
e as janelas são delas o meu castigo

e os olhos que abrem, são astros impossíveis
e os peitos que rodam, buracos que sorvem
e os pés que passeiam, montanhas que pisam
e os ventres que fundam, oceanos que morrem

e eu delas apenas, armação e vestido
vermelho que sangram e morrem comigo

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