purgatório

December 21, 2014 § Leave a comment

dante3

vou nua no sentido da dor,
na ligeireza maior de estar parada,
do céu e o abismo a mesma extensão,
a velocidade ilusória de que aconteço,
quando apenas aspiro a um lugar que não existe
para lamber as feridas, continuamente,
o pânico pela ampulheta exangue

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December 21, 2014 § Leave a comment

planet me

porque existem aves, existem olhos,
pés, porque existem caminhos,
só tem de existir o vento,
porque sem respirar não vou,
não choro, não preencho o corpo,
a pedra na dor do espaço
porque existem árvores e sangro,
porque existe céu e tropeço
de tudo tão curvo e tão baço,
de tudo estar sempre a morrer
tudo o que está sempre a chegar
e apenas quando alguém me pensa,
instante em que alguém me quer,
pertenço a algum lugar

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December 4, 2014 § Leave a comment

poe.jpg

conceber um poema é logro,
menti-lo, mudá-lo de lugar,
nada subsiste fora de si,
tudo enquanto vive mente
porque a verdade, na morte apenas
a expectação do limite
como agora forjo outra velocidade,
o estilhaço do meu medo nos teus olhos
outra existência que desconheço, projetada
não sendo eu, de mim a tua suspeição,
o teu equívoco na minha impostura

Where Am I?

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