May 31, 2015 § Leave a comment

azul

os olhos, a brevidade da ave

o céu, esse poema azul

mas que importa a cor?
se as cortinas, as palavras
lâminas, iniquidades
anoitecidas,
improviso instantâneo,
violentado,
um estupro e a morte
azul e solar

ter olhado e só por isso, o futuro
vindimado na passagem

para que cultivar espadas e flores
nas cinzas, levitar palavras exoneradas?

recuso-me a explicar este crime
uma única vez, a lápide

foi essa ave na abóbada
o cadafalso

algemem-me por isto que não respondo

a ave já abandonou o céu

sequer excrescências, testemunho,
sequer ossadas

que importa?

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humo

May 26, 2015 § Leave a comment

sacro
o amor, nos espectros da noite

podem passar anos sobre esse lugar,
árvores, depois das estações para lá do céu
continuamente pássaros, cerúleos
continuamente o avesso
do rio, um leito de sangue

deito-me descoberta de lua e uma janela

pode desabar um astro e perfurar-me a carne,
um vidro pelo rendilhado das veias, dentro
cardumes brotados e abelhas da pedra

o candeeiro arde cortinas nos olhos

descerro a boca num vaso para esse amor

os tapetes, pele fustigada e vendas
desobedecem aos sentidos, no linho
brotam cascatas de joalharia

vou deitar-me, as pernas vazias de mãos

facas morrem os cabos nos estendais

podem passar muitos gestos, tempo

triturarei a fruta, vendada no fogo,
no barro desse amor

Where Am I?

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