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July 10, 2015 § Leave a comment

não quero nem saber
se quedam as aves mortas,
se expiram os poetas,
se choram meninos as fraldas frias

podem até navios transbordados de corpos
chegar para lavrar de carne os campos,
esventrar de mastros a serrania,
mirrar de sangue as fontes,
uma peste que não cura

podem tudo
podem tudo

tudo, que aguardarei ver do meu amuo,
fleumática

que nem um fado poderá a alegoria
deste meu estado que moí

vou deitar-me de nada, de ossos
de barriga a rilhar um godo,
a espernear o que penso e não digo,
mais cavernosa que uma endoscopia
neste meu arrufo enraizado

e não quero nem saber o fundo, o dia,
a pele da baba na pedra dura,
tudo mais que resvala e geme
tudo mais que sepulta e mura

se a barriga me dói no godo,
na boca a goma escorrega,
se esfrego o ventre vazio
se tomo na boca a pedra

é porque vou tresmalhada
nesta embolia de terra

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