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August 21, 2015 § Leave a comment

rua

forjo arranjos nas pedras,
peneirinhas de algodão e erva
entaladas de raiva e terra

quero que protelem os pés, os velhos
no folhelho debulhado,
os sapatos sob o surro das abas,
o suor frutado

esperem, esperem este mapa de terra,
esperem por favor a fruta,
a faca

rilham caroços e babam
um dente pela gengiva

esperem estes caules,
estes caules trilhados
são os ossos das flores,
sabiam?

olham e assoam-se, arrecadam
o muco no cotão das algibeiras

querem lá saber,
querem lá mais deste tempo perdido

pêssegos sim, querem,
goma doce

nem sei para quê este enfeite

contraem os joelhos, escorregam a língua,
a lisura molhada pelo plástico

sorvem

sorvem-me

sou doutro tempo

cospem

eu sabia,
eu sabia,
não me desculpam a carne

uma mosca,
é uma mosca e sangue,
uma pulga que troca de lombo

escarram,
outra mosca pelo lustro dum vinco

vou no unto desse pano a asa oblíqua,
os olhos num relance solar, um dedo

e

quebro a jarra,
quebro a jarra e é triste, rápido

mastigam logo e sangram

quebro e escondo

a eternidade é assim violenta,
instantânea, oleosa,
insectívora

uma sapatada e uma rua,
uma patena de velhos açucarados,
uma limalha, uma fenda

mais cães, mais flores mortas,
mais moscas e vidros,
mais ovos, mais caules

desarranjos,
desarranjos

arranjos e mais nada,
pulgas, cacos e ossos
e ensaios

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