sangue e soja

October 26, 2015 § Leave a comment

octo

Quem é
o instigador do polvo
dentro, fora da minha cabeça?

Quem vem
sem rasgar, amaranhar a rede do meu sangue,
trespassar a coifa da minha pele,
endiabrar em mim o bicho,
acirrá-lo de fogo
sem mirrá-lo de sal,
sem cegá-lo de fumo,
sem matar-me de sede?

Quem vem
suavíssimo pelo jorro,
sub-reptício pela mufla,
submerso e ébrio pela seiva
tatuar meu rumo?

Quem vem
de longe, do fundo, do fim
estropiar o bicho,
sem estuprar-me a mim?

Quem sabe
a estirpe desse gérmen,
de que dor se alimenta,
de que dor se presenteia,
de que dor se finda o começo?

Quem sabe
a origem, o ovo, a polpa, a pupa,
o ardor, o medo?

Quem determina o parentesco?
Quem determina a presa?

Que interessa?

E a quem,
se a luta é tarde ou cedo?

Se sou,
Se esse polvo existe?

Se o incito e temo?

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