cabra

November 17, 2015 § Leave a comment

cabra16

quero escrever-te, desenhar-te
cabra oblíqua, interruptamente,
imersa no relógio do dia estuprado e nu,
uníssono no código,
até te perderes de repetir-te,
eu repetir-me no símio, na mascarra do corpo,
decifrares a minha mão na aceleração dos ossos,
a tua ausência bestial, de ti belíssima e húmida
cabra obtusa, liquefeita e seráfica maga
neste desfasamento lunático, lunar

tenho a minha mão espremida na carne,
sentes? é a minha boca perra, parda na besta,
ávida, famélica e trémula no encantamento simiesco,
pendular na tua distância cavalgada de membros,
ossos, suor e sémen

lambo o sal, a rede do teu pulso,
sentes? é a minha língua vagarosa, pulsar, ébria,
carnal pelo ressuado sanguinolento,
enleada nesta expiação frívola, estrábica,
geminada

sabes que existo?
sabes quem somos? a que pertencemos?
a que tempo? e porquê, cabra?
que me és? em que espaço te encobres?
em que deserto nos cruzamos? deleitamos,
colidimos no mesmo símio?
tomamos do mesmo instinto exacerbado?

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November 8, 2015 § Leave a comment

brisa

tenho uma brisa num vaso
na minha casa em ruínas
é nessa brisa que voo
meu corpo pelo telhado
no bico dessas esquinas

e uma asa na boca
se o vento crescer deste lado

e a parede que escorre
de fendas pelo empedrado
é o meu andaço que chove
dum varandim recuado

e a minha língua que treme
as asas pela fachada
é essa ave que morre
em mim a dor transpirada

Where Am I?

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