acrobata

December 2, 2015 § Leave a comment

elas

Se soubesse por onde deambulam,
Que caravana as leva, que pavor me distancia,
Iria buscá-las de manadas, rédeas e unhas,
Trazer-me a mim de bestas pelos cabelos,
E prender-lhes os pulsos, chicoteá-las de erva
Até os cascos sangrarem de musgo o medo,
Doer-lhes na garganta o grito da minha chuva
Por dentro uma cascata de pedras

Vergo-me, fundeio os braços nos poços
Para caçar-lhes a pele, a sede, as línguas,
Espremer-lhes das órbitas o breu do sangue,
Cegar-lhes as minhas noites por dentro,
Lambidas de espelhos e luas

As cidades ruem, cedo desabam alcoolizadas
Nos bibes, delas encavalitadas nas raízes do peito
Derretidas de fruta e leite desnatado

Já lhes rasguei as rendas, esgacei as tranças,
Deixei-as nuas, desmoronadas numa parede,
Convulsas numa encruzilhada de ruas

Já lhes trilhei os dedos de fendas e portas,
Os gritos latejados em dobradiças de fogo

Vão mudas nos escombros, vão tortas,
Retalhadas de esquinas, lapidadas
De luzeiros e sombras e vitrinas,
Jangadas pelos telhados

Ainda tentam fábulas esfarrapadas nos cirros,
O olhar levitado nos corcéis de espuma,
Planícies esfarrapadas de trilhos e baba

Só quero tanger-lhes a hora, sugar-lhes a boca,
Asfixiá-las na cinza evaporada do meu hálito,
Assassiná-las e despedir-me apunhalada,
Atravessada de vértebras insanáveis

Depois, ausentar-me de coxas desfolhadas de mãos,
Cambaleada de âncoras em golfadas de mênstruo

Abandonar a metrópole na puerícia do circo

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