luxação

January 12, 2016 § Leave a comment

Desenho de Egon Schiele

Desenho de Egon Schiele

Parto do amor mas regresso sempre
Demitida o sopro, o suor, a mágoa,
As pernas nuas pelo vestido
Como se na corrida me chovesse
E o vento nos joelhos me entornasse,
Despida fosse a cor da minha roupa
A roupa fosse a dor de estar vestida
E o sangue pela carne transbordasse
A velocidade louca de ser água
Na fonte do ardor, endoidecida

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rito

January 12, 2016 § Leave a comment

rito

Amo pessoas como careço de chuva
Para purgar as pedras do meu fundo,
O fundo embriagado da minha terra,
Aves debruadas de nuvens e caravelas
De seda e músculo, sanguínea, cardíaca,
Burilada de instinto e de medo
Os sulcos mapeados por onde não passo
Enrubescida as noites pelos dias
Como se amando no peito renunciasse
Toda a água de transbordar a fonte
E a dor na asfixia me privasse
Do jorro da nascente que não bebo
Do amor que transpiro e não faço

lugar

January 12, 2016 § Leave a comment

lugar

o meu amor tem joelhos de montanhas

quando o sol implode a tarde no ventre
as minhas pernas descarnam árvores rápidas,
azuis, folhas no algodão da chuva

assim, evaporo quente o hálito no pó,
desfolho meus vales no sal e lambo a planície,
húmida no açúcar dos insetos

as aves desaguam na língua os espelhos,
janelas húmidas que latejam vento,
lábios pela arcada do astro

se arrastar um braço desvio um rio,
a nascente desventro um bando tórrido na boca,
chovo sol no bico das aves

o meu amor é transbordado de margens,
migrações e ilhas levitadas de fôlego
e as minhas mãos lapidadas de peixes

o meu amor é de cardumes resvalado,
de vales pela seiva das flores que defloram,
fundeiam as minhas montanhas invertidas

Where Am I?

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