lugar

January 12, 2016 § Leave a comment

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o meu amor tem joelhos de montanhas

quando o sol implode a tarde no ventre
as minhas pernas descarnam árvores rápidas,
azuis, folhas no algodão da chuva

assim, evaporo quente o hálito no pó,
desfolho meus vales no sal e lambo a planície,
húmida no açúcar dos insetos

as aves desaguam na língua os espelhos,
janelas húmidas que latejam vento,
lábios pela arcada do astro

se arrastar um braço desvio um rio,
a nascente desventro um bando tórrido na boca,
chovo sol no bico das aves

o meu amor é transbordado de margens,
migrações e ilhas levitadas de fôlego
e as minhas mãos lapidadas de peixes

o meu amor é de cardumes resvalado,
de vales pela seiva das flores que defloram,
fundeiam as minhas montanhas invertidas

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