delação

February 17, 2016 § Leave a comment

invisibilidade

escrevo porque é inútil
e imoral,

e a vontade infértil como um vaso sem terra

e eu a regá-lo demoradamente de sulcos,
a comprimir a carne nos gestos,
de chover-me das mãos os ossos dentro do barro,
inatingíveis de não conseguir acompanhar-me,
escorregar-me pelo avesso da pele

derreter-me, uma cera tépida

e ser dos passos saídas sem pé para lugar nenhum

e escrever espelhos fugidios de lábios,
línguas frias de prata

mais ou menos uma queda interminável

tentativas sem olhos e sem asas

uma lagarta, uma floresta, uma boca

quimeras

insolências húmidas

planícies, longe

escrever inábil

é isso

defecar obscena em pleno voo

e um grito

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