elas

April 5, 2016 § Leave a comment

rua

Os candelabros estão dentro das pedras e pousam

Das mãos inocentes têm essa leveza de seda levitada,
De saliva que desce

Assim, estão altos e acessos a descer sobre a mesa,
Assim flutuam o pensamento do abstrato ao plano

E ficam ao lado do branco dos bibes costurados

São a presença iluminada no ovo granítico,
Com as suas crianças à mesa a segurar-lhes o ferro,
O pé frio soldado na mão para que não fuja a luz,
Para que fique a engordar o teto, a tremeluzir no sangue,
Nas faces da alma na casa

Não se possa nunca abrir uma janela que não é,
Possa-se num descuido transformar a lucidez em nada,
A luz misturada na luz artificial das traças

Os candelabros, flutuam gotas de sol nos olhos inocentes
E a casa fica cheia de brilho porque as crianças dentro,
Não largam das mãos de leite o pé, e sustêm a respiração
Que vem da luz, que pestanejam de pureza, distraídas

E o ovo de pedra, arrolado pelas bermas, escalda,
Cicatriza o caminho e as ervas daninhas com esse calor

Porque não é o Sol que aquece as pedras nos dias quentes,
São as crianças a segurar nas mesas os candelabros
Com os pulsos firmes e as janelas fechadas

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April 3, 2016 § Leave a comment

mundo

Nos recônditos lugares julgo que te pressinto – ressuscitas estrelas,
Da profundidade de tudo, da carne a rasar os poços das tuas mãos,
Estrelas
Pelo emaranhado do cabelo a derramar o universo de oceanos,
Continentes leitosos e utópicas excentricidades

E arrasas tudo, o espaço dentro desses lugares que mudam de tempo,
A conjuntura permanente que durmo e tu cinzelas de bichos e jardins,
O meu sangue pelas tuas galáxias
Incapacitado de procriar

Por que insistes? Por que desistes?
Por que ergues metrópoles nos meus desertos que abandono?
Entalhas árvores e animais velozes que trespassam mas não ficam
De instantâneos que são,
Comigo de paredes, de vértebras, de vísceras, de espelhos

Porque insistes, se não permites permanecer?
Porque te acercas contínuo, derreado de cestos entornados de fruta?
Transbordados de água? Ofuscados de luz?
E persegues-me,
E estupras-me sem que saiba sequer que fujo, que me nego?

Quando penso nisto, desprendo-me da matéria inteligível das coisas,
Penso em ti,
Demoradamente penso-te como um astro antigo e perdoo-te,
E minimizo-me,
Porque subitamente povoas-me de fósseis e animais extintos,
Ergues da minha incapacidade travessias e incêndios novos

E os meus olhos, a minha vontade,
Emergem de dentro de ti esquecidos, deslembrados das anteriores torturas,
Aplacados de embriões que edificam a noite, esculpem desfiladeiros
Singulares e urgentes

E amo-te,
Torno-me uma vez mais, habitável

Instantaneamente amo-te sobre o fundo costurado e triste,
Inabalável de metrópoles evoluídas e altíssimas

Porque a beleza é um amor inconstante
E o amor uma beleza triste

Where Am I?

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