elas

April 5, 2016 § Leave a comment

rua

Os candelabros estão dentro das pedras e pousam

Das mãos inocentes têm essa leveza de seda levitada,
De saliva que desce

Assim, estão altos e acessos a descer sobre a mesa,
Assim flutuam o pensamento do abstrato ao plano

E ficam ao lado do branco dos bibes costurados

São a presença iluminada no ovo granítico,
Com as suas crianças à mesa a segurar-lhes o ferro,
O pé frio soldado na mão para que não fuja a luz,
Para que fique a engordar o teto, a tremeluzir no sangue,
Nas faces da alma na casa

Não se possa nunca abrir uma janela que não é,
Possa-se num descuido transformar a lucidez em nada,
A luz misturada na luz artificial das traças

Os candelabros, flutuam gotas de sol nos olhos inocentes
E a casa fica cheia de brilho porque as crianças dentro,
Não largam das mãos de leite o pé, e sustêm a respiração
Que vem da luz, que pestanejam de pureza, distraídas

E o ovo de pedra, arrolado pelas bermas, escalda,
Cicatriza o caminho e as ervas daninhas com esse calor

Porque não é o Sol que aquece as pedras nos dias quentes,
São as crianças a segurar nas mesas os candelabros
Com os pulsos firmes e as janelas fechadas

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