kama

June 28, 2016 § Leave a comment

Rati and Kamadeva

por onde andas amor?
por que caminhos principescos nos cruzamos de contas coloridas?

são tantos os teus templos e tão vastos os teus retiros

tão amplos os teus domínios

tão floridas as tuas vestes e refulgentes

pergunto-me muitas vezes, qual é a tua cor no meu cabelo?
somos de que jardim, de que ave e de que tempo?

não deste, tenho a certeza

mas reconheço-te nas preces
teus gestos de seda desfraldada que esvoaça
qualquer sopro de vela quando zarpa o mar na despedida
e a minha boca engolida de espuma,

aberta ainda

que sabor reconhecível de bicho no gosto dos teus dedos?

misturámo-nos como?

de onde vimos que não chegamos ainda não chegaremos nunca?

e sempre a tua mão instintiva à minha porta
teu corpo desabotoado na minha língua

e o meu sono, o silêncio nas tuas asas

um dia saberei quem és, o teu nome inteiro

quando já tiveres partido de flor na mão
a tua corola um sol aberto sobre o navio

a cúpula preenchida de um templo novo

é que, não és deste reino

não és deste reino

só por isso

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