elas

November 18, 2016 § Leave a comment

elas

chegam do esquecimento
e é só subir-me a terra à unha
escalar-me um caracol no osso

são elas embrionárias atiradas às veias
um balancé de teias e andaço
um chicote de carne que não medra

elas de árvores incendiadas nos bolsos
dos aventais a roer caroços
na cinza
a bolsar metais

arregaçai cotão dobrai o aço
afiançai as meias no traço dos dentes

e estendo-lhes a perna o braço
a sombra
mordei-me
fazei-me lá depressa esse ninho

e que mais?

e levam o tempo todo da viagem
no cuspo do itinerário
a escavar-me um leito
até que lhes dou um jeito
até que lhes consigo e respiro
uma cordilheira num fosso
um horário no peito estacionado
e deito-me
e gritam-me de o ver parado

não entendem a estação
querem mesmo é tomar-me à força
a pele
sacudir-me de mãos
rodar-me parafusos de dedos no cabelo
e lamber-me as entranhas do coração
e babar-me de lava demoradamente
demoradamente um quisto por dentro
um penteado novo
um laço para a viagem com mãos de sangue
e um pente em cunha
e um travessão de ferro
calmamente transpirado a descer-me um rio
de ferrugem a planície no rosto
com pássaros dentro e um ovo
e pedras encalhadas

por quem me tomam?
por quem me dispo
a penugem?

e tomam-me o gosto contorcido
e penteiam-me as águas
e é só deitar-me nelas de espelhos
o amor breve e desconchavado
a lama num bafo molhado num mamilo
e um rio de leite

feridas no tempo que mamam
e chichi desassossegado
num lago tranquilo

Advertisements

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s

What’s this?

You are currently reading elas at Lector.

meta

%d bloggers like this: