cibus

November 30, 2016 § Leave a comment

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Como se não fosse por ti
de caminhos crescerem as árvores e as casas e o universo respirável,
e não chegasses para explodir o mundo depois dos beijos,
de tudo tão enlevado e triste e supremo e verde
com cães nas ruas a ladrar às fadas

Que nos fazes depois da luz, da carne, da semente, da ave no cabelo
à bomba que nos pões no bolso?

Treme-me a mão a latejar-me o peito

Para onde te arrumas depois de ofegares, explodirmos,
e aos destroços, o pente, os olhos nas feridas?

Já não eram eu sei, nunca fomos, seremos, depois de despidos
os relógios impossíveis tão só a tua liberdade licenciosa,
musgo e sarna na pedra a martelar as línguas
até desfazer-se a pele, azedarmos o leite na perna
o dialeto menstrual avançar exércitos silenciosos

Trazes-nos já estupradas com valas no peito?
o teu perfume na baba ainda? a lamber-nos o joelho,
as mamas em cataratas de fogo no júbilo do teu sémen?

Estou à mesa e uma toalha de sangue,
cotovelos e um garfo no olho impaciente
Para onde olhas? Que enxergas debochado?
as nossas bocas quentes, quase? o mundo afogado
a mastigar-nos ronceiro, açucarado nesta festa quente?

Somos húmidas no teu celário, sei sinto
pulsar a costura das planícies contínuas,
lagos parados e tu a mexer-nos as cavernas
as folhas escuras no útero

Ainda assim dás-nos de comer sob os incêndios?
nem que fome e espinhas sempre? e a sede inflamável?

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