~~~~~~

December 8, 2016 § Leave a comment

giphy-2

visto-me de palavras e o poema veste-se de mim
geminado numa pele só que cresce sozinha
de vestes inventadas de mim nua, corpo e malha
escrevinhada, alma miudinha e rabiscada

dispo-me de palavras e tenho de fingir-me adornada,
não posso despojar-me assim de todas as letras e dizer-me
branca, desguarnecida, desconhecida em mim a reconhecer-me
a lerem-me nas minhas letras, a alma triste e despojada

sempre me aborrece escolher a roupa que vestir
sempre me afadigam os poemas de letras quaisquer

geralmente pego no que está mais a jeito,
geralmente no amor que é da míngua o meu peito

teria sido bem melhor ter nascido vestida
de roupa e de poemas e de feitio,
não ter de estar sempre a escrever-me
a ler-me e a mentir-me, a aquecer-me
de palavras rasgadas e de frio

melhor ainda seria viver descoberta, não ter de fugir-me,
andar sempre de mim a esconder-me, nem sol, nem lua,
de mim constantemente a procurar-me e a vestir-me,
de achar-me sempre só e sempre nua

Advertisements

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s

What’s this?

You are currently reading ~~~~~~ at Lector.

meta

%d bloggers like this: