opsis

January 5, 2017 § Leave a comment

200w-1

as meninas sangrentas
na macropsia do cosmos
ampliam as córneas e emanam
árvores pelo barro dos vasos
polvos pela prata dos espelhos

sexo ovíparo nos relógios

as meninas sangrentas
na micropsia do espaço
burilam miragens nas veias,
espancam as mãos sobre o ventre
e contorcem ébrias o corpo,
arrastam, puxam, eclodem e perfuram
a carnação esventrada sob o linho

se no microespaço da macrofobia
as meninas lacerassem deveras
a carne no deleite da língua,
a sedução pungente da inocência,
vertessem a seiva inteira dos bichos,
vazassem das margens um rio de leite

se no macroespaço do microsegundo
gozassem de instinto nuas a dimensão
rubra, o metrónomo descompassado,
o corpo das estrelas e dos peixes
num estupro interplanetário em simetria,
um lanho pelo sugadouro dum beijo

amariam com a febre do ódio as pedras
e cavariam a terra na hipóxia dos ossos,
o mênstruo na sublimação das fontes,
a baba transpirada pela bainha
dos deuses famintos e húmidos
na aridez enrubescida dos demónios

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