statum

April 2, 2017 § Leave a comment

arrasto certa tristeza ininterrupta comigo

por isso, descerro fontes das mãos que não cessam

mas isto que importa senão a mim que choro?
se os outros velam suas próprias fontes desconhecidas?
se os outros de gume em riste trajam a mudez das águas?

importa apenas saber que passo e que algures alguma coisa não seca
permanece na estação da origem

porque de resto, prossigo viagem para estendais longínquos
de cesto na mão pelo crescente da lua

ninguém sabe, mas levo a estender novamente os panos

levo-os eternamente molhados na direção do sol

lá, onde a felicidade existe dependurada numa mola frágil
suspenderei o ferro desse linho

a ninguém importa, mas fá-lo-ei prostrada, morosamente

depois, continuarei com o peso do sangue nos braços
a estender os ossos

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