noctis

June 1, 2017 § Leave a comment

se me deito, rompo as vértebras e lanço-te os braços do peito
e tu olhas-me, indolente e doce
e caças-me os pulsos e suspendes-me na noite
das tuas cordas invisíveis

e eu fico assim dependurada dessa ideia um tempo infinito
de ser a tua pupa estelar oscilante no espaço
com a minha carne iluminada por dentro do teu silêncio

se vibro e gemo pelos meandros dessa tua calma
tu torces-me vagarosamente na obstinação do vazio
até que dum repuxo expludo e verto-me de seiva luminosa
um coágulo de leite que do ventre se deixa orbitar
parir um rio pela via láctea das tuas mãos transparentes
de anéis pela cintura das horas húmidas

e dissolvo-me sobre a tua fronte inexplorada

sabes bem
que trago comigo nebulosas virgens amamentadas de medos

com elas sobrevoo a tua permissão e colonizo-a
e à tua carne convulsa de mansidão inventada

porque o meu corpo é um astro no sustentáculo do amor

e tu sabes
que somos vestes instintivas no interregno das poeiras

assim, antes da obscuridade, permito-me horas a imaginar
que velocíssima detono galáxias à tua frente e que me habitas

horas suspensas na fruta que amadureço à tua porta

aflijo-me muitas vezes com isto dos teus mistérios
com as marés das minhas profundidades tontas

mas depois tu revisitas-me tímido e tranquilizo-me

de saber que quando me deito
já te encontras à minha espera dentro da noite

Advertisements

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s

What’s this?

You are currently reading noctis at Lector.

meta

%d bloggers like this: