kraken

August 30, 2017 § Leave a comment

não me devo preocupar com os dias
apenas com os caranguejos se ficam longe da costa

regressá-los húmidos ao mar – um objetivo útil,
pensar sobre esse tempo – uma futilidade -, uma vez que imperceptível do cosmos

assim, melhor guardá-los dentro dos gestos plúvios

no entanto, dias há em que me preocupo
percebo o quanto desperdiço a vida a pensar nisto de agir
no tempo em que alguém – na minha ausência -, surripia uma estrela para um lavatório

triste e ridículo – eu sei -, como tudo o mais

que importa?

faço por sobreviver – e sobrevivo -, a esta tristeza de barco no mar
com toda a culpa hasteada de não salvar nada, nem a mim mesma (o que não lamento)

de tudo inconsolavelmente inútil como isto e ainda mais o que não escrevi,
escreverei um dia ou atrever-me-ei a pensar,
igualmente dependurado na humidade do espaço

enfim – bichos, monstros e náufragos –, solúveis velas

resta-me pois, unicamente
a esperança de a meu tempo sucumbir no nada
sorridente e com todos os nomes que não salvei vazios na boca

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