inutilidade

March 12, 2018 § 4 Comments

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meu poema é longe
como as aves dos braços e os peixes das mãos
porque nado o vazio e afundo-me,
voo as palavras e dissipo-me

não me leiam então ou às minhas penas
embebidas em sangue evaporado
são astros condenados de um universo estanque,
estrelas mortas de luz despedida

nem viajem as lágrimas dos meus dedos,
cuspo mudo do meu leito infecundo,
órbita desconhecida

imaginem apenas que não sou
nem ave, nem peixe – sou pedra
e essa pedra soterrada um verme que mirrou,
que agora é úlcera no coração da terra

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