nimirum II

March 19, 2018 § 2 Comments

se voltassem atrás as estações,
seria verão ainda

e nós os dois prostrados

e silêncio apenas

esse dialecto puro

e estanquidade apenas
essa natureza inocente

uma tarde inteira demorada e muda

que as palavras são um cadafalso
às vezes

e às vezes um atilho

e os gestos uma demolição precoce,
quase sempre

tenho sombra do telhado pousada sobre o rosto da terra

a mobília segue na decoração das árvores,
verde

um rio de carpete que corre e atravessa um cão

ladro-lhe daqui

do meu respiro não me faço entender

que língua é esta que eu falo?
que palavras descrevem os meus gestos?
de que sono sou feita?

não respirarei tão cedo eu sei,
os pássaros pela estação trocada

a bicharada escarafuncha uma fuga pelos alicerces,

terá de resistir-me depois de atravessar o mundo para respirar

terá de construir uma jangada de um fosso,
uma asa de sangue duma pedra,
um sopro dum sufoco

depois voar lágrimas como se fosse chuva
a minar-me os pés e soltar-me a terra sob a casa

se das cinzas se soltar qualquer nuvem
de qualquer tempo

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