nebula

August 22, 2018 § 2 Comments


há um olho no jardim do nevoeiro que vê tudo

vê a linha com que fio o pensamento
vê suas razões costuradas na pedra
desta minha espécie de sono ou caminho
ou sonho intermitente de lã e areia

há esse olho que fia poeiras de um coração dormente
de pequenas pedras com pulsação interior

basta-lhe aceder à cegueira pela porta dos ovos
acender o fundo das cinzas nas franjas do amor
que logo se embriagam as pedras desde as raízes
eclodem veias das fontes de neblina
e eu acedo

e o olho explica-se:
o jardim é invisível e levita
porque é do interior que se harmoniza a luz
germinam e ascendem as flores incandescentes
com suas corolas de indissolúveis cores

e eu acredito
e pestanejo as pedras no jardim do nevoeiro
com um olho cambaleante pela linha cega
pela pulsação ajardinada e líquida do amor

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